Livro: A Revolução dos Bichos

Os animais de uma fazenda, insatisfeitos com a maneira em que são tratados, se rebelam contra os seus donos humanos e tomam conta do lugar, seguindo a filosofia do Animalismo, criado pelos mesmos. Esse é o enredo do primeiro grande sucesso do escritor inglês George Orwell, lançado em 1945. Aqui o autor também critica o totalitarismo, como fez posteriormente na obra 1984, mas desta vez ele satiriza a União Soviética Comunista. 

Na história, um porco ancião, percebendo que está em seus últimos dias, faz um discurso condenando o tratamento que os animais recebem na fazenda e incentivando todos a se unirem e mudar este cenário, além de ensinar uma canção antiga que resume bem a sua ideologia, chamada “Beasts of England” (bichos da Inglaterra). Três dias depois ele morre, mas as palavras dele continuavam a alimentar a esperança de uma vida melhor para os animais.

Os porcos Napoleão e Bola-de-Neve começam a trabalhar nas estratégias da Revolução, que acabou implodindo num certo dia em que o Sr. Jones, o proprietário da fazenda, esqueceu de alimentá-los e os bichos o expulsaram. Os novos líderes criaram os Sete Mandamentos do Animalismo, no qual havia tópicos como “qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo”, “nenhum animal dormirá em cama” e “todos os animais são iguais”. Mas os suínos se aproveitam da inteligência inferior das outras espécies e aos poucos as coisas vão tomando rumos indesejáveis.

A narrativa, apesar de tratar de um tema mais pesado, é fácil e simples. Uma criança poderia ler e entender (porém, não recomendo essa leitura para crianças). Nas primeiras publicações do livro, inclusive, continha o subtítulo “A Fairy Story” (“uma fábula”).

Não à toa, a revista Time classificou A Revolução dos Bichos como um dos 100 melhores livros da língua inglesa. O autor descreve de forma inteligente e didática, substituindo os humanos por animais, o que aconteceu na revolução que gerou a União Soviética. Leitura obrigatória.

“1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo. 
2. Qualquer coisa que ande sobre quatro patas, ou tenha asas, é amigo. 
3. Nenhum animal usará roupas. 
4. Nenhum animal dormirá em cama. 
5. Nenhum animal beberá álcool. 
6. Nenhum animal matará outro animal. 
7. Todos os animais são iguais.”

4/5

Livro: Me Chame Pelo Seu Nome

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Me Chame Pelo Seu Nome, primeiro romance do escritor egípcio radicado nos Estados Unidos André Aciman, foi lançado em 2007. O livro é narrado em primeira pessoa pelo protagonista Elio Perlman, que recorda, em sua maioria, sobre o verão de 1983 em uma cidade interiorana da Itália, quando ele tinha 17 anos, e em como essa época o marcou.

Na trama, sua família recebe todo ano, durante o verão, um estudante universitário em sua casa para ajudar o pai dele (que assim como sua mãe, é professor universitário) com trabalhos acadêmicos. O felizardo da vez é Oliver, um jovem filósofo americano de 24 anos, que está indo também para acompanhar a tradução do seu primeiro livro. Elio, que não gosta muito dessa já tradição da família, pois sempre tem que ceder o seu quarto para o hóspede, sente logo uma certa antipatia por ele. Mas aos poucos, eles vão se conhecendo, passando muito tempo juntos, e a relação deles se desenvolve para mais do que só uma amizade.

A história é sobre um romance de verão, mas é também sobre a descoberta da sexualidade. Vemos como, com o passar das semanas, Elio começa a nutrir uma paixão avassaladora por Oliver. Ele sente-se atraído não só fisicamente, mas também intelectualmente pelo outro. O adolescente retraído que lê vários filósofos e cujo hobby é transcrever música erudita vê no estudante um igual, um parceiro, e admira-o completamente. Mas a dúvida e a culpa por vezes toma conta, afinal estamos falando de um caso que acontece numa cidade do interior, e no século passado. Há a dúvida também de se o sentimento é recíproco. E durante o período retratado, ele se envolve com Marzia, uma colega da sua idade, ficando claro aí a sua bissexualidade.

Existem duas cenas que são muito marcantes aqui. Uma delas é a conversa com o pai, quase ao final da história, que é um discurso obrigatório não só para pais e mães, mas para qualquer ser humano. Já a outra é cena final de fato, que não é igual a do filme, mas é tão linda e tocante quanto.

A escrita de Aciman é de tirar o fôlego. O cenário do norte italiano, a forma extremamente detalhista como Elio descreve o americano, o que ele faz para se sentir mais conectado com ele, a tensão sexual, as conversas intelectuais entre os dois. Intenso. Essa é uma ótima palavra para descrever o livro. E apesar de ser protagonizado por um adolescente, não dá para classificá-lo como um romance jovem adulto. É um livro extremamente sensível e belo, que com certeza merece ser lido.

5/5

Livro: 1984, de George Orwell

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Alguns anos após a Segunda Guerra Mundial, em 1949, o escritor e jornalista inglês George Orwell – pseudônimo de Eric Arthur Blair – lançou o que seria o seu último livro: 1984. A obra se trata de uma distopia, e nela o autor aborda o totalitarismo que havia na época, especialmente na União Soviética, de uma forma assustadora e brilhante.

Na Oceânia, local onde a trama é ambientada, a sociedade se divide em três classes: Alta – composta pelo Partido Interno, que é liderado pelo Grande Irmão; Média – composta pelo Partido Externo; e Baixa – composta pelos proles, trabalhadores. Winston Smith, o protagonista, é um membro do Partido Externo e trabalha no Ministério da Verdade. Seu trabalho é reescrever artigos de jornais do passado, de modo que o registro histórico sempre esteja de acordo com a ideologia do Partido.

Ele vive uma rotina monótona, mas no íntimo, se rebela contra a sociedade totalitária e repressora em que vive. Mas apenas consigo mesmo, sem comunicar isso a outra pessoa e sem demonstrar de alguma forma. Isso porque todos os cidadãos, exceto os da Classe Alta, são vigiados 24h pelas teletelas, que funcionam como um televisor e uma câmera, exibindo a programação oficial do governo e simultaneamente filmando tudo o que acontece na sua frente. Então ele conhece Julia, uma colega de trabalho que logo se torna seu interesse amoroso secreto, afinal, relacionamentos só são permitidos entre pessoas que que foram designadas uma a outra com o único objetivo de reproduzir. E ao se envolver com Julia, ele se arrisca mais do que nunca.

A obra traz novas palavras e conceitos como socing, crime de pensamento, e a mais interessante e assustadora de todas, a novafala, que é o idioma criado pelo Partido para manipular seus cidadãos. Definindo-se como um socialista democrático, Orwell escreveu e lançou o livro como forma de alertar sobre os perigos e as perversões que já foram realizadas por governos totalitários. Um exemplo disso é o Grande Irmão, o grande líder da Oceânia, que seria a personificação de Josef Stalin.

Algo que pode incomodar durante a leitura são os enormes trechos de um livro que Winston está lendo, e que também somos obrigados a ler. Mas essa é a única reclamação, porque o autor cumpriu bem o seu objetivo, nos fazendo entender melhor como funciona a manipulação de massas, e nos deixando horrorizados com a pura maldade de certos personagens, em cenas difíceis de ler. Merece o título de clássico.

“Se você quer uma imagem do futuro, imagine uma bota prensando o rosto humano para sempre.”

 

Livro: Clube da Luta

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O romance de 1996 conta a história de um homem amargurado, que devido ao estresse e ao jet lag das constantes viagens a trabalho, sofre de insônia. Ele então começa a frequentar grupos de apoio para pessoas com doenças terminais, pois todo aquele sofrimento ajuda a aliviar a sua condição. Mas sua vida muda ao conhecer duas pessoas: Marla Singer e, especialmente, Tyler Durden, um dos personagens mais interessantes.

É ele quem cria o tão famoso Clube da Luta, no qual vários homens se reúnem durante a madrugada em algum local escondido para lutarem uns com os outros a fim de descontar suas frustrações do dia-a-dia e da vida, e que possui regras como “Você não fala sobre o Clube da Luta” e “As lutas duram o quanto tiverem que durar”. Responsáveis pelo clube clandestino, o relacionamento dos dois leva a um caminho sem volta.

O autor, o estadunidense Chuck Palahniuk, nos mostra em seu livro de estreia o que algumas pessoas estão dispostas a fazer para protestar contra toda falácia, hipocrisia e crueldade da sociedade capitalista. Há personagens complexos, cenas violentas, acontecimentos hilários e incômodos, questionamentos e imposição ao sistema.

A narrativa, que pode ser classificada como ficção transgressiva, não é das mais convencionais e pode incomodar um pouco até que se acostume com o ritmo, mas vale a pena. Esta foi a minha primeira leitura do gênero, e me agradou muito, principalmente pela mensagem que a obra passa.

Clube da Luta acabou se tornando tudo o que ele critica. A história foi parar em Hollywood, e a partir daí, virou um produto de consumo de massa. Foi lido, comprado e consumido tal qual a felicidade embalada citada nele. E isso só o torna ainda mais icônico.

Por que será que vivemos trabalhando para produzir o que não consumimos e, em troca disso, consumimos o que não nos é útil e temos o que não utilizamos, e, por fim, nunca estamos satisfeitos?

Livro: Misto-Quente (1982)

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O quarto romance escrito pelo teuto-estadunidense e famoso Charles Bukowski é basicamente uma autobiografia. Nela vamos acompanhar a infância, adolescência, e início da vida adulta do seu alter ego Henry Chinaski, um garoto nascido na Alemanha, que mora em Los Angeles com sua mãe e seu pai extremamente autoritário, durante a recessão pós 1929.

Henry teve uma infância ruim, onde não recebia quase nenhum tipo de amor e carinho de seus familiares, sofrendo inclusive agressões físicas e psicológicas por parte de seu pai, além de toda a sua família sofrer com a pobreza, algo que era mais do que comum na época.

Durante a adolescência, todos esses problemas se agravaram e ainda surgiu outro que o marcou muito (literalmente), que foi a acne. O caso dele era tamanho, que foi necessário passar por tratamentos médicos no hospital público da sua cidade. Devido a isso, ele tinha poucos amigos e não conseguia se relacionar com garotas, tornando-se cada vez mais amargurado, bruto e solitário. Mas foi também nessa época em que ele encontrou duas paixões: os livros e a escrita.

Durante a leitura é possível entender muito bem tudo o que o protagonista sente, toda a raiva, e até todas as coisas que ele diz e faz que não são nem um pouco éticas ou respeitosas. Ele apenas tornou-se o fruto do meio em que viveu. Não é um livro para todos. Ele é intenso, nojento, desrespeitoso, angustiante, melancólico, e isso pode afastar leitores mais sensíveis e que não estão acostumados com esse Realismo sujo.

Mas é impossível não ser tocado em passagens como “Era bom estar solitário num lugarzinho, sentado, fumando e bebendo. Sempre tinha sido um boa companhia para mim mesmo.” (p. 306)

Livro: Grande Magia – Vida criativa sem medo (2015)

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Não sou a maior fã de livros de auto-ajuda, mas posso dizer que esse foi o primeiro do gênero que me impactou. Não tive a oportunidade de ler nenhum outro livro da autora, Elizabeth Gilbert, mas isso mudará em breve, pois agora quero ler todos os trabalhos dela, de tanto que gostei de Grande Magia.

Com algumas memórias de sua vida como escritora, a autora do best-seller Comer, Rezar, Amar conta histórias inspiradoras e dá dicas de como lidar melhor com o medo e a insegurança de uma vida criativa. Ela tem, inclusive, uma crença bastante curiosa sobre como a inspiração e o mundo das ideias funcionam. Eu particularmente não compartilho dessa mesma crença, mas é um modo de se ver as coisas, e que aparentemente funciona para ela.

Se você quer trabalhar com arte e criatividade, seja como músico, escritor, cineasta, ator, ou qualquer profissão do tipo, você com certeza já foi acometido pelo famoso medo. Medo de não dar certo, de não ter dinheiro para pagar as contas, de nunca ser reconhecido, de ser criticado, entre tantas outras coisas. Esse livro é, então, para você. E se não quer necessariamente fazer disso o seu ganha pão, mas quer, citando a autora, “viver uma vida mais motivada pela curiosidade do que pelo medo”; esse livro também é para você.

Está precisando daquele empurrãozinho para colocar aquele projeto em prática? Acho difícil não ficar motivado e inspirado a fazê-lo depois dessa leitura.

 

Livro: Herança (2011)

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Eragon, livro lançado em 2002, conta a história de um menino (chamado Eragon) que mora no continente fictício de Alagaësia com seu tio e seu primo em uma fazenda. Um dia encontra uma bela pedra azul, que logo após descobre ser na verdade um ovo; e dele nasce o dragão Saphira, com quem ele cria uma ligação especial. Mas muitos a cobiçam, inclusive o rei tirano Galbatorix, que quer a única fêmea da espécie para criar um exército de dragões que o sirva. A partir daí, a vida de Eragon muda completamente.

Nove anos depois, o escritor norte-americano Christopher Paolini finalmente nos deu o capítulo final dessa história mágica e eletrizante. Herança é o último livro da saga (são quatro no total: Eragon, Eldest, Brisingr, e Herança), e também o mais comprido, com suas 792 páginas.

A história se inicia quando o exército dos Varden liderado por Nasuada tenta tomar a cidade de Belatona, e durante a batalha Saphira é ferida por uma Dauthdaert, uma arma feita por elfos, que á capaz de matar dragões. Depois de uma nova aliança, Eragon continua a se preparar com a ajuda da elfa Arya e do desperto dragão Glaedr, para a guerra final, na qual pretendem matar o rei Galbatorix.

Eragon e Saphira vivem momentos emocionantes, como quando eles percebem que a Alagaësia é apenas uma parte muito pequena dentro da imensidão do mundo, e quando passam por um momento de auto descoberta em Vroengard. Mas eles também sofrem, com despedidas e incertezas.

Com uma narrativa mais densa e sombria que as dos volumes anteriores, o livro tem passagens cansativas, devido ao estilo minucioso do autor – fazendo juz a sua grande inspiração, Tolkien -, mas nada que atrapalhe o todo, e as cenas de luta são muito bem escritas. Paolini conseguiu fechar todas as pontas soltas deixadas anteriormente, com exceção da misteriosa bruxa Angela – ele comenta sobre isso nos agradecimentos.

Gostei muito da forma como a história se desenvolveu e como se resolveu, apesar do final que dividiu opiniões entre os fãs da saga, mas que me agradou.