Top 5: Discos de rock dos anos 2000 (internacional)

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Arctic Monkeys

O gênero do rock durante a década de 2000 foi marcado pelo indie e pelo emocore. Nessa época também surgiram bandas incríveis fazendo um som contagiante, como Arctic Monkeys, Franz Ferdinand, e The Strokes (essa última chegou a receber slogan de “salvação do rock”). Enquanto outros grupos já consagrados lançaram um dos melhores trabalhos da carreira, como é o caso do Green Day e do Radiohead. Pensando nisso, listei abaixo os meus cinco discos (internacionais) de rock favoritos lançados entre os anos 2000 e 2009.

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5. You Could Have It So Much Better – Franz Ferdinand

O segundo álbum de estúdio dos britânicos Franz Ferdinand, de 2005, é um rock com batidas dançantes e riffs marcantes. Lançado pouco mais de um ano depois do bem-sucedido disco de estreia deles, You Could Have It So Much Better é ainda melhor que o primeiro. Curiosamente, este é o trabalho que o vocalista Alex Kapranos menos gosta – leia aqui a entrevista -. Não que ele o odeie, é claro. Além do grande hit “Do You Want To“, o álbum também contém as ótimas “The Fallen“, “You’re The Reason I’m Leaving”, e a faixa-título.

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4. A Rush of Blood to the Head – Coldplay

Mais um segundo álbum de uma banda britânica. O Coldplay lançou em 2002 o A Rush of Blood to the Head, um disco com uma atmosfera mais intimista, onde o piano e a guitarra são predominantes nas canções. Com sucessos como “Clocks” e “In My Place“, a obra trouxe três Grammys para o grupo. É o melhor trabalho da banda, na época em que ainda podíamos dizer que o Coldplay era uma banda de rock. Outras músicas que se destacam são “God Put A Smile Upon Your Face”, “The Scientist“, e “Amsterdam”.

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3. The Black Parade – My Chemical Romance

O grande representante do emo, movimento que foi muito forte na década passada, é a banda americana My Chemical Romance. The Black Parade, o terceiro álbum de estúdio, foi lançado em 2006 e é uma ópera-rock sobre um personagem, chamado de “O Paciente”, que está à beira da morte. O disco mescla canções mais energéticas com outras mais sombias, sempre com riffs de guitarra raivosos. As minhas favoritas são “Dead!“, “Welcome To The Black Parade“, “Mama” e “Teenagers“.

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2. Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not – Arctic Monkeys

A banda inglesa Arctic Monkeys já tinha uma certa popularidade na internet e entre o público indie, mas só em 2006, quando lançou seu disco de estreia Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not, foi que estourou no mundo. Com um som cheio de guitarras, batidas dançantes, e letras sobre a juventude no interior da Inglaterra, o álbum foi o pontapé inicial responsável por colocar a banda como uma das mais influentes do rock atualmente. As minhas músicas favoritas são “Fake Tales Of San Francisco“, “Dancing Shoes”, Mardy Bum”, e “When The Sun Goes Down“.

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1. American Idiot – Green Day

Depois de um disco de recepção morna e de outro que teve todas as suas gravações roubadas, o trio punk californiano resolveu gravar uma ópera-rock sobre um anti-herói adolescente de classe média baixa, e todo o cenário político e social dos Estados Unidos. Lançado em 2004, é definitivamente o álbum mais politizado da banda, no qual faz críticas à Guerra do Iraque e ao então presidente George W. Bush. American Idiot tem dois Grammys e rendeu até um musical na Broadway. Destaco aqui a faixa-título, “Jesus of Suburbia“, “Holiday“, e “Whatsername”.

 

Música: High As Hope – Florence + The Machine

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O quarto álbum de estúdio da banda inglesa Florence + The Machine, lançado em 29 de junho, mantém o clima quase religioso característico da banda mas de uma forma mais intimista. A vocalista Florence Welch, com sua voz marcante, canta canções sobre mágoas, traumas e inspirações, com o piano, o baixo e a bateria como instrumentos predominantes na maioria das músicas.

A faixa de abertura “June” fala sobre o uso de entorpecentes. Em um verso, ela canta “Eu ouço seu coração batendo em seu peito, o mundo diminui até que não sobra nada“. Este disco, inclusive, foi o primeiro em que a cantora gravou totalmente sóbria, o que reflete nas suas letras mais pessoais. “Me tornei mais vulnerável e fui um passo adiante da metáfora. Isso criou uma criatividade corajosa. Eu pensei, ‘Está tudo bem se eu me mostrar’.”, disse ela em uma entrevista ao The New York Times.

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Outro assunto difícil abordado é o distúrbio alimentar que Florence enfrentou na adolescência, relatado na faixa “Hunger“. A sua adolescência é revivida novamente, dessa vez de uma perspectiva mais otimista, na nostálgica “South London Forever”. Em seguida vem a ótima “Big God“, que ganhou um videoclipe belíssimo; e a melancólica “Sky Full Of Song“, o primeiro single promovido.

Em “Grace” ela pede perdão a sua irmã pelo comportamento dela no passado, quando ela estava alcoolizada. “Me desculpe, eu arruinei seu aniversário que você completou 18 anos, e o sol apareceu, e eu estava me comportando de maneira estranha“, canta. “Patricia”, uma das minhas favoritas do disco, é uma homenagem a Patti Smith, a quem ela admira muito. A atmosfera religiosa está bem presente em “100 Years”, e já na emocionante “The End Of Love” ela fala sobre uma tragédia ocorrida em sua família, o suicídio da sua avó. A bela balada “No Choir” encerra o álbum.

High As Hope, apesar de ter temas tão pesados, não é uma obra triste, mas sim esperançosa. É como se aqui Florence tivesse exorcizado seus demônios e ficado em paz consigo mesma. Fica aqui meus parabéns à essa banda que tem, até agora, uma ótima discografia, onde todos os trabalhos são acima da média. Que continuem assim.

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Música: Liberation – Christina Aguilera

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A nova-iorquina Christina Aguilera lançou no último dia 15 o seu oitavo álbum de estúdio, após um hiato de seis anos. Em seu trabalho mais relevante desde Back To Basics, de 2006, a cantora parece renovada e mostra a todos que ainda é aquela artista poderosa dos anos 2000. O disco bebe de duas fontes principais, o R&B e o hip-hop, e seguindo o protocolo que todas as cantoras de pop seguem hoje em dia, há várias colaborações com rappers.

Se tratando de Aguilera, sempre podemos esperar alguns interlúdios em seus discos, e com este não é diferente. Dois desses abrem o álbum, a faixa-título “Liberation”, seguida de “Searching For Maria”. A primeira música de fato é “Maria”, que foi produzida pelo polêmico Kanye West e contém samples de Michael Jackson. Maria é também o nome do meio da artista, o que dá um significado ainda mais forte à essas músicas.

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Aparentemente, a experiência que a cantora teve como treinadora no reality show The Voice não foi muito boa, como ela canta em “Sick Of Sittin'”, a mais diferente do álbum, que adquire um som mais rock ‘n’ roll por causa da guitarra presente. “Fall In Line“, em parceria com Demi Lovato, é uma poderosa canção feminista. Em um dos trechos, ela canta “Neste mundo, você não está em dívida, você não deve a eles, seu corpo e sua alma“. A dobradinha de músicas mais sensuais vem com “Right Moves”, com uma sonoridade mais reggae, e a ótima “Like I Do“.

As baladas geralmente são as mais marcantes dos trabalhos de Aguilera, especialmente por causa da sua voz potente. Aqui temos “Deserve”, na qual ela fala sobre um relacionamento complicado, a belíssima “Twice“, em que questiona o significado da vida, e “Unless It’s With You”, uma melancólica declaração de amor. O primeiro single lançado para promover o disco, “Accelerate”, que também foi produzida por West, é inovadora – ao menos para o estilo da artista. Uma ótima canção, que gruda na cabeça, e a colaboração dos rappers Ty Dolla $ign e 2 Chainz faz toda a diferença.

Parece clichê dizer, mas é realmente um trabalho de ressurgimento e renascimento artístico. Com ele, ela avisa a todos que a diva do pop e uma das maiores vozes de sua geração está de volta, mais livre como nunca e talentosa como sempre.

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Os 10 anos do Dig Out Your Soul, do Oasis

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Gem, Liam, Noel e Andy

Em algum dia do ano de 2009, quando meu hobby era ficar assistindo TV e alternando entre três canais de videoclipes, me deparei com o clipe de Falling Down, de uma banda chamada Oasis. Nessa época o meu conhecimento sobre bandas de rock era bem baixo. Gostei muito do som, depois descobri que uma amiga minha era fã deles, e ela me apresentou outras músicas dos caras. Aí alguns meses depois os irmãos Gallaghers tiveram um briga e decidiram encerrar as atividades… pois é, acontece com as melhores bandas. Mas pelo menos, musicalmente falando, eles tiveram um fim digno, com o álbum Dig Out Your Soul, lançado no dia 6 de outubro de 2008.

O disco que completa uma década esse ano e foi gravado no histórico Abbey Road Studios, faz jus à sonoridade da banda. É rock ‘n’ roll, tem guitarras, tem baladas, e a sempre presente influência dos Beatles. Mas eles também apostaram em algo mais psicodélico, o que combinou muito com a voz do principal vocalista, Liam Gallagher, e um exemplo disso é o primeiro single, The Shock Of The Lightning, uma das músicas mais poderosas do álbum.

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Liam e Noel

Noel Gallagher sempre foi o principal e melhor compositor do Oasis, vide a bela faixa Falling Down, que foi o último single lançado – sim, aquela primeira música que eu ouvi deles. E também Bag It Up, que fala sobre as experiências alucinógenas que o guitarrista e vocalista teve quando era mais jovem.

Mas aqui há também contribuições dos outros membros. O guitarrista Gem Archer escreveu To Be Where There’s Life, o baixista Andy Bell compôs The Nature Of Reality, e Liam nos presenteou com três canções: Ain’t Got Nothin’, Soldier On, e uma das baladas mais bonitas da carreira do grupo, I’m Outta Time, que tem até um sample da voz do John Lennon, e é claramente uma homenagem ao ex-beatle. O time se completa com Zak Starkey, que tocou bateria em 10 das 11 faixas.

Dig Out Your Soul recebeu algumas críticas negativas, mas foi bem recebido por maior parte dos fãs e da crítica especializada. Ele vendeu 90.000 mil cópias no Reino Unido somente no seu dia de lançamento. Que o futuro da banda era incerto, todos sabiam, devido a relação difícil dos irmãos. E então durante a turnê do álbum, eles brigaram – houve até uma guitarra quebrada no meio – e algumas semanas depois foi anunciado o fim da banda. Ironicamente, a última canção do último disco deles se chama Soldier On – que significa “continuar fazendo algo apesar da dificuldade”.

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Música: Tranquility Base Hotel & Casino – Arctic Monkeys

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O novo lançamento da banda inglesa foi muito elogiado por grande parte da crítica e dividiu a opinião dos fãs. Isso aconteceu principalmente pela mudança de sonoridade deles, que substituíram as características guitarras pelo piano, e flertaram com o jazz, o que pegou muitos de surpresa. Mas é visível o amadurecimento das músicas e dos seus criadores, em especial o vocalista Alex Turner, que foi responsável por grande parte das composições – o álbum iria ser, inicialmente, um trabalho solo seu.

Ambientada num imaginário hotel na lua, chamado Tranquility Base, a obra tem letras que falam sobre assuntos diversos, sempre com um pouco de humor. The Strokes e Blade Runner são citados na música de abertura Star Treatment, e em American Sports ele fala sobra fazer videochamadas com Deus semanalmente. Ficção científica e o nosso relacionamento com a tecnologia são temas abordados em canções como Science Fiction e Batphone.

Em Four Out Of Five, há uma espécie de propaganda do hotel lunar, onde ele cita o nome de uma das maiores crateras da lua: “lugares fofos surgem a toda hora ao redor de Clavius“, e ainda faz uma brincadeira com os críticos e suas notas. “Não é como você tivesse uma história ou algo assim, tentando ser legal” canta Turner em She Looks Like Fun, que fala sobre a cultura das redes sociais. Já na melancólica The Ultracheese, ele fala sobre a solidão dos dias de hoje: “Me assusto com uma batida na porta quando não esperava. Isso não fazia parte da graça, em um tempo antigo?

Parece que o piano que o vocalista ganhou no seu aniversário de trinta anos foi muito bem aproveitado. É um disco muito bom, que tem uma ótima mistura de clima futurista com vintage. As músicas são agradáveis, e como uma obra completa, com uma narrativa, funcionam muito bem em conjunto.

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Top 5: Discos de rock dos anos 90 (internacional)

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Foto: Jeff Kravitz

Ah, os anos 90… sempre digo que gostaria de ter nascido nos anos 70, só para ter vivido minha juventude nessa época. Muitas coisas me dão uma nostalgia de algo que não vivi (afinal, eu era apenas uma criancinha), mas a principal é com certeza a música dessa década. A minha banda favorita, Green Day estourou em 1994; o meu gênero musical favorito, o rock, reinava; e o melhor subgênero deste, o grunge, conheceu os holofotes também nessa época, gerando uma das bandas mais famosas do mundo: Nirvana.

Estes são os meus discos internacionais de rock favoritos da década de 1990:

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5. Definitely Maybe – Oasis

O álbum de estreia da maior banda de britpop foi lançado em 1994, tendo ótimos resultados nas vendas e uma boa recepção da crítica. Ele foi também o responsável  por devolver à Inglaterra o posto de grande expoente do rock, alguns meses depois da morte de Kurt Cobain. Minhas canções favoritas são Live Forever, Supersonic e Cigarettes & Alcohol.

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4. Nimrod – Green Day

Não, não é o Dookie (que também é ótimo, é claro). O disco de 1997 foi recebido com alguns narizes torcidos por parte dos fãs que estavam acostumados com aquele punk furioso e rápido. Ele ainda está presente neste trabalho, mas há também alguns elementos nunca antes utilizado pela banda, como ska, surf music, death metal e até uma balada. Destaco as músicas Hitchin’ A Ride, Platypus (I Hate You) e King For A Day.

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3. The Bends – Radiohead

O segundo álbum lançado pela banda inglesa, em 1995, é um dos favoritos dos fãs e da crítica especializada até hoje. As belas melodias em conjunto com as guitarras e as letras melancólicas, que são a marca registrada do Radiohead, fazem desse disco um dos melhores da década. The Bends, High and Dry e Just são as músicas mais marcantes para mim.

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2. Californication – Red Hot Chili Peppers

Saímos da melancolia de Londres e paramos na ensolarada e intensa Los Angeles. Esse é certamente o trabalho mais famoso do quarteto californiano, e não é à toa. Lançado em 1999, o Californication marcou o retorno do guitarrista John Frusciante à banda, o que influenciou muito na qualidade e sonoridade das canções. Entre elas, Parallel Universe, Scar Tissue, e o grande hit Californication.

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1. Nevermind – Nirvana

Kurt Cobain foi o grande rockstar dos anos 90, e o segundo álbum lançado por sua banda, em 1991, foi o pontapé inicial de toda essa fama. Mostrando o melhor, mais sujo e mais pop grunge de Seattle, o Nevermind fez história. Uma geração cresceu ouvindo Nirvana, e hoje todos conhece aquela capa icônica do disco. Músicas como Smells Like Teen Spirit, Come As You Are e Lithium não passam despercebidas por nenhum fã do gênero.

Música: Concrete and Gold – Foo Fighters

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O nono álbum de estúdio da banda americana Foo Fighters, lançado no dia 15 de setembro deste ano, segue a sonoridade característica do sexteto, sem dar espaço para experimentações ou inovações. E mandaram muito bem, pois tudo o que um fã da banda quer escutar é algo que realmente soe como o Foo Fighters.

Podemos dividir este álbum em duas partes. A primeira parte é onde há as melhores músicas e a segunda parte tem umas canções mais mornas, mas não necessariamente ruins.

Após uma introdução descartável com T-Shirt, vem Run, uma das melhores e mais explosivas, que foi o primeiro single e que também ganhou um videoclipe bem divertido. Em seguida temos Make It Right, que tem participação de Justin Timberlake, fazendo um discreto backing vocal. The Sky Is A Neighborhood, o segundo single e ponto alto do disco, é uma balada poderosa que precede La Dee Da, outra música explosiva e com os gritos de Dave Grohl.

Dirty Water lembra muito os primeiros trabalhos da banda, de meados dos anos 90, e Arrows tem uma letra muito bonita. A partir de Happy Ever After (Zero Hour), que é uma balada bem chatinha, é quando a qualidade cai um pouco. Sunday Rain conta com Paul McCartney na bateria, e por isso esperava-se mais desta canção. The Line, terceiro single, já é um pouco melhor, e o álbum encerra com a faixa-título Concrete and Gold, que tem participação de Shawn Stockman, do Boyz II Men, fazendo também o backing vocal.

É sempre bom saber que existem bandas que mesmo depois de tanto tempo continuam fazendo o gênero musical que sempre seguiram – neste caso, o rock – mantendo a essência e suas raízes. Os fãs agradecem.

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