Álbum: No Shame – Lily Allen (2018)

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A arte é algo muito subjetivo e, na maioria das vezes, a obra é um reflexo de tudo o que o artista vive e sente. No caso do No Shame, quarto álbum de estúdio da cantora inglesa Lily Allen, é exatamente isso que acontece. A obra é repleta de letras confessionais e íntimas sobre sobre acontecimentos da vida de Allen dos últimos anos, entre eles maternidade, um disco malsucedido, divórcio, perseguição da mídia e abuso de substâncias, só para citar alguns.

Com uma sonoridade pop embalada pela voz suave da cantora, e seus ocasionais falsetes, o disco abre com “Come On Then”, onde ela fala sobre as pessoas que sempre estão arrumando um motivo para criticá-la e diz em um trecho “Sim, sou uma mãe ruim, sou uma esposa ruim. Você viu nas redes sociais.” “Trigger Bangs“, que tem participação do rapper Giggs, e foi também o primeiro single do álbum, é uma canção com uma melodia bem agradável, em que canta sobre andar com pessoas erradas e em como isso a fazia se afundar ainda mais nas drogas.

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Nunca pensei que seríamos esse casal, fugi ao primeiro sinal de problema” canta em “What You Waiting For”, música em que admite seus erros em seu antigo casamento. “Your Choice”, parceria com Burna Boy, traz uma batida reggae, gênero que está presente também em outras músicas do álbum, como “Waste”. A partir da sétima faixa, há o que considero o ponto alto da obra, uma sequência de quatro baladas extremamente verdadeiras, tristes e belas.

Em “Family Man” e “Apples”, Lily Allen coloca para fora tudo o que estava guardado sobre o relacionamento com o ex-marido. Em um trecho ela canta “eu tive que fazer isso, querido, nós dois estávamos deprimidos“. “Three” é uma linda música embalada ao piano, que ela escreveu pelo ponto de vista de seus filhos, já “Everything To Feel Something” fala sobre novamente sobre abuso de substâncias e sobre solidão. O final termina de uma forma mais otimista, com uma mensagem motivacional em “Cake”.

No Shame é um dos melhores trabalhos da cantora, assim como o mais pessoal e sincero, o que só contribuiu para o resultado final positivo. Como diz o título do disco, ela conta detalhes da sua vida sem vergonha alguma, e em uma entrevista à NME, declarou: “As pessoas têm tentado arduamente revelar os detalhes mais íntimos da minha vida sem permissão. Então, talvez esta seja eu apropriando-me da minha narrativa e apresentando-a em forma musical”. E que narrativa.

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4,5/5

Top 5: Adaptações cinematográficas da DC Comics

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Os filmes sobre super-heróis baseados nas histórias em quadrinhos começaram a fazer sucesso nos anos 70 com DC Comics, mais especificamente com Superman (1978), estrelado por Christopher Reeve. De lá para cá, a marca teve muitos altos e baixos na grande tela, mas nos deu um dos melhores filmes do gênero. Sem comparar a adaptação em si, mas analisando somente os filmes, listo os meus cinco favoritos abaixo:

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Batman (1989)

Com Michael Keaton no papel principal e direção de Tim Burton, o quinto colocado da lista trouxe, pela primeira vez, uma atmosfera mais séria ao herói, diferente da série e filme da década de 60, que era uma comédia. O filme possui uma identidade visual que se destaca, tanto que levou o Oscar de Melhor Direção de Arte no ano seguinte. Apesar de críticas a algumas mudanças em relação às histórias originais do Batman, ele conquistou vários fãs, especialmente por causa de Jack Nicholson, que roubou a cena como o vilão Coringa.

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Mulher-Maravilha (2017)

Finalmente, um filme (bom!) de super-herói com uma protagonista feminina, e que foi dirigido por uma mulher. Mulher-Maravilha foi um respiro para a DC nos cinemas, numa época em que ela lançou alguns filmes que dividiu a opinião de público e crítica. Patty Jenkins fez um bom trabalho na direção, Gal Gadot parece que nasceu para o papel da amazona, e o resto do elenco ainda conta com nomes como Chris Pine, Robin Wright, e David Thewlis. Não é uma obra perfeita, mas é com certeza a melhor dessa nova fase, a chamada Universo Estendido da DC.

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Watchmen (2009)

Foi aqui que começou a parceria com o diretor Zack Snyder, que é conhecido pelas lutas em slow motion, cenas grandiosas, e o uso de cores frias em seus filmes. A adaptação da obra de Alan Moore e Dave Gibbons é uma história não-convencional de super-heróis, seja no enredo, ou na forma em que é contada. É um filme adulto, que por vez ou outra aborda a violência e outros assuntos mais sérios, e tem personagens muito interessantes, como Doutor Manhattan, Rorschach, e o Comediante. A trilha sonora também é excelente, com nomes como Bob Dylan e Leonard Cohen.

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V de Vingança (2005)

Mais uma do Alan Moore. E o único da lista que não pode ser classificado como “filme de super-herói”. Esta distopia nos apresenta à figura de V, um homem misterioso que está sempre com uma máscara de Guy Fawkes, e que quer realizar uma revolução contra o governo opressor da Inglaterra, local onde se passa a trama. É uma crítica ácida ao totalitarismo e cheio de referências à Alemanha nazista. Com Hugo Weaving, Natalie Portman, e roteiro das irmãs Wachowski, o filme levanta diversas questões (e não necessariamente responde todas).

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Batman – O Cavleiro das Trevas (2008)

E chegamos a ele, que não é apenas o melhor filme da DC, mas o melhor filme de super-herói já feito. Christopher Nolan dirigiu com maestria a sua trilogia do Batman, sendo o segundo, O Cavaleiro das Trevas, o mais icônico. Christian Bale foi o melhor ator a interpretar o detetive e Heath Ledger, a escolha certa para o melhor vilão, o Coringa. Este último é o grande motivo do sucesso do longa. Cenas como a da interrogação, e a de abertura são exemplos disso. O Oscar póstumo de Melhor Ator Coadjuvante foi merecidíssmo, além do de Melhor Edição de Som. O elenco ainda conta com Gary Oldman, Michael Caine e Aaron Eckhart. Filmão.

Filme: Você Nunca Esteve Realmente Aqui

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Acho que já temos a provável única representante feminina na categoria de melhor diretor do próximo Oscar: Lynne Ramsay. A diretora estreou seu filme mais recente em 2017 no Festival de Cannes, onde o longa ganhou os prêmios de melhor roteiro e melhor ator para Joaquin Phoenix. Baseado no livro de mesmo nome de Jonathan Ames, a história fala sobre Joe, um veterano de guerra que trabalha resgatando escravas sexuais mantidas em cativeiro. Até que um dia uma missão dá muito errado, trazendo consequências irreversíveis.

As comparações com Taxi Driver são compreensíveis. Um cara meio perturbado que está sempre no volante durante a noite, fazendo justiça com as próprias mãos (e nesse caso, com o seu martelo também), são elementos que se repetem aqui, mas dessa vez com uma cortina de suspense. A fotografia, a edição, e a trilha sonora composta por Jonny Greenwood ajudam a criar essa atmosfera.

O personagem de Joe é uma pessoa com muitos de traumas, o que faz com que ele seja psicologicamente frágil e tenha um comportamento suicida, mostrado em cenas como a da estação de trem, ou as que ele utiliza o plástico. Phoenix está totalmente entregue ao seu papel, transmitindo toda a angústia e raiva do protagonista, seja na expressão corporal ou no seu olhar. A jovem atriz Ekaterina Samsonov está excelente como Nina, assim como Judith Anna Roberts, que interpreta a mãe de Joe.

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E é do ponto de vista dele que acompanhamos o desenrolar da história. Ramsay, que também assinou o roteiro do longa, faz isso brilhantemente nas cenas mais violentas. Quando ele está presente ou participa ativamente da ação, nós vemos de uma maneira mais sutil (como, por exemplo, pelas imagens da câmera de segurança) a violência. Quando ele não está presente, só vemos o resultado da brutalidade. E as que são mais explícitas, tem motivo para serem mostradas, funcionando como um choque de realidade para o personagem.

O enredo não é o do tipo que dá as informações todas mastigadas, algumas questões ficam sem serem totalmente explicadas, mas não vejo isso como um ponto negativo, pelo contrário. Funciona muito bem, ao meu ver, para evidenciar a complexidade dos personagens e o clima de suspense. Você Nunca Esteve Realmente Aqui é um filme sufocante, revoltante, angustiante, e filmes que causam sentimentos tão fortes não são esquecidos tão rapidamente. Excelente.

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Música: Sweetener – Ariana Grande

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Depois de um 2017 difícil, a estadunidense Ariana Grande lançou no dia 17 de agosto o seu quarto álbum de estúdio, chamado Sweetener. Ela explicou em algumas entrevistas o significado do título, dizendo que serve como uma mensagem para transformar uma situação ruim em algo melhor. O ataque de Manchester, que aconteceu em um show seu, é sutilmente lembrado na última faixa que tem a duração de 5:22, fazendo referência à data do acontecido.

A mensagem de positividade pode ser ouvida através do disco em músicas como “The Light Is Coming“, mais uma ótima parceria da cantora com Nicki Minaj, “Breathin”, que fala sobre continuar apesar das dificuldades, e “No Tears Left To Cry” o primeiro single e também uma das melhores canções do álbum.

Com nomes como Max Martin e Pharrell Williams na produção, o pop e o R&B continuam presentes em suas canções, mas aqui ela também trabalha com o hip-hop, que está presente em canções como “God Is A Woman“, que ganhou um videoclipe incrível; “Everytime”, que fala sobre voltar sempre para uma pessoa específica; e a faixa-título “Sweetener”.

O novo trabalho de Grande tem poucas ótimas músicas, como os três singles, o encerramento embalado ao piano “Get Well Soon”, e a já citada “Breathin”; outras que são esquecíveis (“R.E.M.” e “Borderline”, parceria com a rapper Missy Elliott) e até chatas, como “Blazed”, que tem participação de Pharrell, e “Succesful”. Letras sem graça e melodias que simplesmente não empolgam ou causam nenhum tipo de sentimento é o que mais tem aqui. Talvez o fato de ela também está cantando de uma forma mais contida na maioria do disco, sem mostrar tanto o potencial da sua voz (que é incrível) também tenha influenciado no resultado final, que não me agradou muito. Escute só as músicas boas citadas e deixe as outras para lá.

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Série: The Handmaid’s Tale (2ª temporada)

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Quando foi anunciada a segunda temporada da série, isso gerou curiosidade e receio entre os telespectadores, pois a primeira temporada já havia adaptado todo o conteúdo do livro que deu-lhe origem, O Conto da Aia, e isso significaria que o seriado agora andava com seus próprios pés.

Já no primeiro episódio podemos ver que a série mantém a qualidade, tanto técnica quanto narrativa, e o peso dos assuntos retratados na história, como o feminismo. A primeira metade é um pouco arrastada, talvez propositalmente, fazendo uma relação com o estado psicológico da protagonista June Osborn (Elizabeth Moss), mas depois o ritmo aumenta. A montanha-russa de emoções é constante, alternando entre medo, angústia, esperança e raiva.

Aqui vamos acompanhar June, em Gilead, durante todo o final da sua gravidez até os primeiros dias do bebê. Paralelo a isso, vemos pela primeira vez as Colônias, aonde estão as “não-mulheres”, aquelas que são indesejadas pela sociedade: aias que não reproduzem ou que não obedecem à lei, esposas que traem seus maridos e freiras inférteis. Moira (Samira Wiley) e Luke (O. T. Fagbenle), que estão no Canadá, não são deixados de lado, e os flashbacks continuam mostrando a vida de June, seu marido e sua filha Hannah antes de eles se desencontrarem.

Entre os novos personagens, a mais interessante é Holly Maddox (Cherry Jones), a mãe de June, que é mostrada também em alguns flashbacks retratando a complicada relação de mãe e filha. Isso rende um dos episódios mais bonitos da série, que é o 11º, chamado “Holly”.

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Serena Waterford (Yvonne Strahovski) começa a entrar em conflito e ter ações contraditórias que às vezes nos faz amá-la, para logo depois odiá-la novamente. Mas a sua relação de cumplicidade e desprezo com June é explorada durante toda a temporada, deixando cada vez mais explícito toda a complexidade da personagem Serena. Algumas cenas mostram o passado dela com seu marido Fred (Joseph Fiennes), e como eles contribuíram com o surgimento de Gilead.

É muito bom ver que algumas aias estão se rebelando aos poucos, cada uma de seu jeito. Para exemplicar, há uma cena muito boa em que elas estão todas fazendo compras e a protagonista reencontra uma amiga e finalmente diz seu próprio nome (algo que é proibido para elas) e gera uma onda de cumplicidade entre todas.

As atuações são um dos grandes destaques. Moss consegue transmitir emoções intensas sem falar uma palavra, e Ann Dowd e Alexis Bledel, que interpretam Tia Lydia e Emily, respectivamente, também não deixam a desejar. As três, inclusive, levaram cada uma um prêmio Emmy pela temporada passada e este ano foram novamente indicadas.

O final do seriado incomodou a algumas pessoas, e a outras nem tanto. Confesso que eu fui uma das que fiquei decepcionada (talvez com raiva seja a palavra certa), por motivos que, se eu falar, vai estragar a experiência de quem ainda não assistiu. Mas isso com certeza não estragou toda a temporada, que foi sim muito boa. Agora é aguardar para que façam jus ao que aconteceu na próxima temporada, que estreia próximo ano.

Você pode ler a resenha da primeira temporada aqui.

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Top 5: Discos de rock dos anos 2000 (internacional)

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Arctic Monkeys

O gênero do rock durante a década de 2000 foi marcado pelo indie e pelo emocore. Nessa época também surgiram bandas incríveis fazendo um som contagiante, como Arctic Monkeys, Franz Ferdinand, e The Strokes (essa última chegou a receber slogan de “salvação do rock”). Enquanto outros grupos já consagrados lançaram um dos melhores trabalhos da carreira, como é o caso do Green Day e do Radiohead. Pensando nisso, listei abaixo os meus cinco discos (internacionais) de rock favoritos lançados entre os anos 2000 e 2009.

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5. You Could Have It So Much Better – Franz Ferdinand

O segundo álbum de estúdio dos britânicos Franz Ferdinand, de 2005, é um rock com batidas dançantes e riffs marcantes. Lançado pouco mais de um ano depois do bem-sucedido disco de estreia deles, You Could Have It So Much Better é ainda melhor que o primeiro. Curiosamente, este é o trabalho que o vocalista Alex Kapranos menos gosta – leia aqui a entrevista -. Não que ele o odeie, é claro. Além do grande hit “Do You Want To“, o álbum também contém as ótimas “The Fallen“, “You’re The Reason I’m Leaving”, e a faixa-título.

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4. A Rush of Blood to the Head – Coldplay

Mais um segundo álbum de uma banda britânica. O Coldplay lançou em 2002 o A Rush of Blood to the Head, um disco com uma atmosfera mais intimista, onde o piano e a guitarra são predominantes nas canções. Com sucessos como “Clocks” e “In My Place“, a obra trouxe três Grammys para o grupo. É o melhor trabalho da banda, na época em que ainda podíamos dizer que o Coldplay era uma banda de rock. Outras músicas que se destacam são “God Put A Smile Upon Your Face”, “The Scientist“, e “Amsterdam”.

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3. The Black Parade – My Chemical Romance

O grande representante do emo, movimento que foi muito forte na década passada, é a banda americana My Chemical Romance. The Black Parade, o terceiro álbum de estúdio, foi lançado em 2006 e é uma ópera-rock sobre um personagem, chamado de “O Paciente”, que está à beira da morte. O disco mescla canções mais energéticas com outras mais sombias, sempre com riffs de guitarra raivosos. As minhas favoritas são “Dead!“, “Welcome To The Black Parade“, “Mama” e “Teenagers“.

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2. Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not – Arctic Monkeys

A banda inglesa Arctic Monkeys já tinha uma certa popularidade na internet e entre o público indie, mas só em 2006, quando lançou seu disco de estreia Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not, foi que estourou no mundo. Com um som cheio de guitarras, batidas dançantes, e letras sobre a juventude no interior da Inglaterra, o álbum foi o pontapé inicial responsável por colocar a banda como uma das mais influentes do rock atualmente. As minhas músicas favoritas são “Fake Tales Of San Francisco“, “Dancing Shoes”, Mardy Bum”, e “When The Sun Goes Down“.

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1. American Idiot – Green Day

Depois de um disco de recepção morna e de outro que teve todas as suas gravações roubadas, o trio punk californiano resolveu gravar uma ópera-rock sobre um anti-herói adolescente de classe média baixa, e todo o cenário político e social dos Estados Unidos. Lançado em 2004, é definitivamente o álbum mais politizado da banda, no qual faz críticas à Guerra do Iraque e ao então presidente George W. Bush. American Idiot tem dois Grammys e rendeu até um musical na Broadway. Destaco aqui a faixa-título, “Jesus of Suburbia“, “Holiday“, e “Whatsername”.

 

Filme: Todo Dia

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Um dos candidato à fenômeno adolescente no cinema esse ano é a adaptação do livro de David Levithan, Todo Dia. Na trama, conhecemos A, uma alma misteriosa que acorda em um corpo diferente todos os dias. Sempre alguém da mesma faixa etária, nunca duas vezes a mesma pessoa. Uma dia, ao habitar o corpo de Justin (Justice Smith), A conhece a namorada dele, Rhiannon (Angourie Rice), por quem se apaixona. No decorrer do tempo, eles vão fazer o que for possível para se encontrarem diariamente, independente da etnia, gênero e biotipo que A possui no momento.

Assim como a maioria dos filmes do gênero, este também possui alguns clichês, como a protagonista se apaixonar por um ser sobrenatural, ter problemas familiares, se afastar da melhor amiga por causa do novo namorado, entre outros. Mas pelo menos boa parte do elenco é de fato adolescente e tem uma idade próxima a de seu respectivo personagem, o que deixa as coisas um pouco mais críveis.

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A premissa é interessante, mas o resultado nem tanto. Faltou o aprofundamento do que poderia ser o mais interessante do filme: quem é A, um espírito? Um extraterrestre? Algo que nem sabemos o nome ainda? E porquê ele(a) é assim? Existem outros como ele(a)?

Mas a obra abraçou mais seu lado romance e drama, do que seu lado fantasia. Eu não cheguei a ler o livro que originou a história, então não posso dizer se é culpa do roteirista ou do autor (mas acredito que seja do autor).

É aquela coisa, né: eu não sou o público-alvo, e sim os adolescentes. Se quiser assistir algo diferente, sem nenhuma pretensão, este longa vai sim te entreter. Ele é divertido e leve, mas tem seus momentos mais dramáticos também. Tem uma boa trilha sonora, e uma música que marca muito a primeira metade do filme – adoro quando fazem isso -, que é a ótima “This Is The Day”, da banda The The. Mas é o tipo de filme que eu não tenho vontade de rever.

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